Pesquisa e Desenvolvimento

Recursos multimídia na promoção de habilidades sociais em crianças com dificuldade de aprendizagem

Pessoas com dificuldades de aprendizagem podem requerer recursos e estratégias educacionais diferenciados no ensino regular, tal como regulamentado pela política de inclusão, uma vez que apresentam desempenho acadêmico abaixo do esperado para a idade cronológica e série escolar em tarefas acadêmicas, influenciando o progresso escolar normal, o rendimento acadêmico geral, o desenvolvimento socioemocional e outros aspectos de ajustamento. Estudos sugerem uma relação entre habilidades sociais e dificuldades de aprendizagem, indicando que o Treinamento em Habilidades Sociais (THS) pode favorecer o desempenho acadêmico. Os programas de THS para escolares constituem uma alternativa relevante de ser investigada, em seus efeitos para o rendimento acadêmico e no desenvolvimento de recursos e estratégias de intervenção. Considerando a relevância de produzir recursos, para utilização no ensino regular, que auxiliem a população com dificuldade de aprendizagem, os indicadores negativos da dificuldade de aprendizagem na qualidade de vida e a relação exposta na literatura entre habilidades sociais e dificuldades de aprendizagem, esta pesquisa envolveu a elaboração de um programa de intervenção em habilidades sociais em contexto escolar e teve como objetivo a identificação dos efeitos de um programa de THS, que teve como base do procedimento a utilização das vinhetas de vídeo do Recurso Multimídia de Habilidades Sociais para Crianças (RMHSC-Del-Prette), sobre o repertório de habilidades sociais e acadêmico de crianças com dificuldade de aprendizagem. A pesquisa envolveu dois estudos que utilizaram os mesmos instrumentos e procedimento, tendo o Estudo I, delineamento experimental, e o Estudo II, séries temporais. O Estudo I teve como participantes 14 crianças com dificuldade de aprendizagem com idade média 9,4 anos, sendo 9 meninas e 5 meninos, que foram alocados aleatoriamente em dois grupos, o Experimental (G1) e o Controle (G2). O Estudo II envolveu 9 crianças, 6 do sexo feminino e 3 do masculino com idade média de 9,5. Antes da intervenção, as crianças foram avaliadas por meio do Critério Brasil, Teste de Desempenho Escolar, Sistema de Avaliação de habilidades sociais (SSRS-BR) nas três versões de avaliação (pais, professores e autoavaliação) e Avaliação com role-play breve (RPB). Após a intervenção, as crianças foram reavaliadas somente com SSRS-BR e Avaliação RPB. Ao longo do programa, as crianças foram avaliadas por meio da Avaliação RPB, a fim de identificar seus progressos. Foram realizadas 22 sessões de intervenção no Estudo I e 20 no Estudo II, todas com duração de 70 minutos. Durante a intervenção utilizou-se o RMHSC-Del-Prette que contém vinhetas de vídeo para a promoção de habilidades sociais, conforme sugestão de uso dos autores. O procedimento de intervenção incluiu a apresentação das vinhetas de vídeo com discussões, atividades lúdicas e utilização de técnicas cognitivo-comportamentais como reforçamento, modelagem, modelação, role-play etc. No Estudo I, análises inferenciais indicaram que G1 apresentou ganhos estatisticamente maiores em habilidades sociais e competência acadêmica quando comparado ao G2, segundo os três informantes. Em relação à avaliação contínua, foi possível verificar que à medida que as habilidades sociais eram ensinadas os participantes as adquiriram e as mantiveram ao longo do THS. Comparando G1 e G2 nas avaliações contínuas pode-se observar que os participantes do G1 apresentaram melhor desempenho em todas as classes após a intervenção. No Estudo II, após a intervenção, G3 apresentou aumento na freqüência de habilidades sociais nas avaliações dos três informantes. Nas avaliações contínuas mostraram que após o ensino de cada classe os participantes adquiriram e/ou aperfeiçoaram as habilidades sociais. Concluiu-se que o procedimento de intervenção com a utilização das vinhetas de vídeo foi capaz de produzir mudanças no repertório de habilidades sociais e competência acadêmica de crianças com dificuldade de aprendizagem e pode ser sugerido como base para intervenções preventivas do tipo universais em salas de aulas.

Trabalho original publicado em Repositório UFSCAR
Link: https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/3032?show=full
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