Senti-me honrado ao receber o convite da jornalista Mariana Arantes para ser colunista do Portal Educação Emocional. Ao mesmo tempo, como ocorre com quase todos os convites que aceitamos e com os quais nos comprometemos, senti a responsabilidade de corresponder ao perfil que se espera de um colunista, especialmente por ser um neófito nesse tipo de experiência. Peço, portanto, desculpas antecipadas ao eventual leitor que me honre com sua generosa atenção pelos erros e omissões que certamente acompanharão a escrita dos textos desta coluna; farei todo esforço possível para minimizá-los até onde alcançar minha competência e atenção, mas sei que os cometerei.

Também me perguntei, ao aceitar esse convite, se eu teria como apresentar algo relevante, e ao mesmo tempo caracterizado pelo ar da novidade, em uma área que, a despeito de ainda não se encontrar suficientemente consolidada no espaço acadêmico brasileiro, conta com contribuições significativas de grandes cientistas e estudiosos de fora do Brasil e alguns brasileiros, de modo que não me julgo em condição de acrescentar novidade alguma ao que já foi e tem sido fornecido por tais eminentes pesquisadores.

À luz das restrições mencionadas, vi que minha área de intervenção se reduzia e obrigava-me a encontrar um tema ou discussão que estivesse de algum modo vinculado à minha atividade corrente ou então deveria declinar do honroso convite e da confiança em mim depositada pela editora deste Portal. Decidi, então, transformar em artigos a serem publicados regularmente nesta coluna o texto que tenho estado a escrever nos últimos meses sem maior regularidade, e que vislumbro publicá-lo como livro dentro de um ou dois anos.

Minha pretensão inicial consistia em apresentar o texto referido como uma tese à banca examinadora por ocasião do exame para a minha promoção à classe de professor titular na UFPE. Entretanto, diante do Golpe de Estado no Brasil e de seus desdobramentos desde 2016, achei prudente não aguardar a conclusão do referido texto e optei por submeter-me à banca examinadora por meio de um memorial sobre o histórico das atividades acadêmicas por mim realizadas, e tratar da conclusão daquele outro texto posteriormente. Procedi desse modo, fui promovido à classe de professor titular em 2017 e agora me encontro em condições de dar continuidade à escrita do referido texto que deverá ser publicado como livro em futuro próximo. Uma parte desse texto já foi apresentada no próprio memorial já mencionado – que em breve deverá ser publicado como livro. Outra parte foi escrita posteriormente e continua inédita; há ainda cinquenta ou sessenta por cento do texto a serem concluídos. Na medida em que este é um esforço a que venho me dedicando nos últimos meses, ainda que de modo irregular, considero como algo mais realista a transformação do texto já escrito, e do que ainda há para escrever, em artigos semanais para esta coluna, de modo que, assim dispostos, eles possam seguir uma determinada ordem lógica, a qual poderá ser capaz, senão de compensar, ao menos de diminuir as lacunas e equívocos que certamente acompanharão essa produção.

Organizados desse modo, os textos da referida coluna irão compor futuramente um livro sobre o conceito de formação humana. Desse modo, se houver algum leitor desta coluna, o mesmo poderá vir a ter conhecimento completo da referida obra antes de sua publicação como livro.

Como afirmado, o tema central desta coluna será a formação humana. Buscarei fundamentar esse conceito em diversas tradições e pensadores, bem como extrair suas implicações educacionais, relacionais, sociais, políticas e existenciais. Ao longo desta publicação regular, pretendo demonstrar que a ideia de formação humana não é nova, não é produto de um só autor ou tradição, nem é uma invenção arbitrária – a formação humana existe como prática e ideia determinadas por aquilo que o ser humano é individual e socialmente, como fenômeno existente e como devir. Por outro lado, a ideia de educação emocional, razão de ser deste Portal, é dimensão fundamental e ineliminável da formação humana devido simplesmente à condição de que todos nós somos seres emocionais, entre outros aspectos. Em termos daquilo que constitui o humano, não pode haver, portanto, formação sem que este ser, particular e socialmente, aprenda a familiarizar-se com tudo o que o constitui e o move, incluídas as emoções. Já antecipo, por conseguinte, que qualquer educação que não abranja de forma consciente e organizada o objetivo da regulação emocional pelo ser humano, é educação falha e incompleta. Não pretendo, entretanto, me antecipar. Conclusão como essa deriva de uma determinada compreensão filosófico-antropológica que precisa ser explicitada e fundamentada, o que pretendo fazer em artigos futuros nesta coluna.

Creio poder finalizar por aqui esta primeira coluna, renovando o meu compromisso de apresentar semanalmente o resultado de um esforço reflexivo ainda em construção e, portanto, sujeito a toda sorte de imperfeição, para o que são bem-vindas as críticas, sem as quais esta obra não pode ser aperfeiçoada.