Karina Inês Paludo


O desenvolvimento humano possui muitos aspectos comuns, isto é, que ocorrem de forma semelhante entre as pessoas, e é por meio deles que os indivíduos se caracterizam como “seres humanos”. Entretanto, outros aspectos deste mesmo desenvolvimento se desenham de forma diferente para cada pessoa, culminando em uma identidade, que se diferencia de outras identidades. O presente estudo voltou sua atenção para a identidade da pessoa com altas habilidades/superdotação ou identidade superdotado, como se optou por denominar. O indivíduo com altas habilidades/superdotação caracteriza-se, basicamente, por sua capacidade acima da média (intelectualmente ou em outra área) e precocidade. Para subsidiar a pesquisa, utilizou-se como base teórico-metodológica principal o Sistema Teórico da Afetividade Ampliada – STAA, que explica o desenvolvimento humano através da análise inter-relacional de quatro dimensões, as quais são representadas por quatro categorias principais: identidade (dimensão configurativa), self (dimensão recursiva), alteridade (dimensão moduladora) e resiliência (dimensão criativa). A partir deste modelo, buscou-se investigar a constituição da identidade superdotado e o papel da resiliência nesse processo. Tomou-se como hipótese que o feedback do “outro” sobre a identidade superdotado tem implicações significativas para a aceitação ou a rejeição daquele que a possui. Além disso, a dimensão criativa – representada pela resiliência –, por ser um conjunto de processos responsável pela criação de recursos psicológicos e disponibilização destes ao self e à identidade, exerce especial influência no desenvolvimento do sujeito com altas habilidades/superdotação. Como caminho metodológico para o estudo empírico, utilizou-se do enfoque misto, por meio da aplicação de escalas psicológicas, uma entrevista semiestruturada e a aplicação do instrumento “expressões incompletas”. Os participantes foram onze adolescentes com altas habilidades/superdotação, entre 11 e 15 anos, atendidos no horário contrário ao do ensino regular, na sala de recursos de uma escola pública estadual localizada no município de Curitiba (PR), região sul do Brasil. Realizou-se uma análise integrativa, combinando os dados quantitativos com aqueles qualitativos, oriundos dos instrumentos individuais Em função dos resultados obtidos, entende-se que a maneira como a identidade superdotado é compreendida exerce influência direta sobre a aceitação ou rejeição da mesma por parte do sujeito, reiterando-se, assim, a importância das relações em que predomine a alteridade, a presença da afetividade e reciprocidade, para um profícuo desenvolvimento da pessoa com altas habilidades/superdotação. Sobre a resiliência, observou-se que os participantes da presente amostra fazem um uso acentuado da capacidade de resiliência e, como resultante deste processo, geram um maior número de recursos e mais qualificados –tornados visíveis por sua precocidade e capacidade acima da média. Por fim, ressalta-se a necessidade de fluidez entre as dimensões para um desenvolvimento humano saudável.

Palavras-chave: Altas habilidades/superdotação; Sistema Teórico da Afetividade Ampliada; Identidade; Resiliência; Alteridade; Adolescência.

Depositado na Biblioteca da UFPR


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